O growth investing deixou de ser apenas uma tendência e se firmou como uma verdadeira filosofia de investimento em um mundo movido pela inovação. Enquanto o value investing busca empresas subavaliadas em relação ao seu valor intrínseco, o investimento em crescimento aposta em negócios com alto potencial de expansão de lucros — muitas vezes antes mesmo de apresentarem resultados concretos. Essa abordagem reflete uma transformação estrutural da economia global: a digitalização acelerada, o avanço da inteligência artificial, a transição energética e o progresso da biotecnologia criaram um ambiente fértil para companhias que crescem em ritmo exponencial. O investidor que compreende essa dinâmica não busca apenas preço, mas momentum, inovação e escalabilidade. Mais do que uma estratégia, o growth investing é uma visão de futuro, que exige coragem para abraçar o novo e discernimento para distinguir inovação de especulação. Nesse equilíbrio entre entusiasmo e prudência, o papel do consultor de investimentos é essencial — orientar o investidor, transformar o potencial de crescimento em prosperidade sustentável e fazer do futuro um projeto calculado, não um salto no escuro.
O DNA das empresas de crescimento
Empresas típicas de growth investing compartilham características reconhecíveis:
- Alta capacidade de reinvestimento, priorizando expansão em vez de distribuição de dividendos;
- Foco em setores emergentes, como tecnologia, IA, energias renováveis, biotecnologia e saúde digital;
- Modelos de negócio escaláveis, sustentados por tecnologia, dados e efeitos de rede;
- Gestão voltada para o longo prazo, mesmo em detrimento da lucratividade imediata.
Essas companhias tendem a apresentar múltiplos elevados — como o P/L (Preço/Lucro) e o EV/EBITDA — porque o mercado precifica o crescimento futuro. No entanto, essa precificação exige disciplina analítica: quando a expectativa de crescimento não se concretiza, as quedas podem ser severas.
O desafio do risco e da volatilidade
O crescimento raramente é linear. Empresas em expansão enfrentam maior exposição a choques econômicos, competição e mudanças regulatórias. Isso significa que o investidor de growth precisa aceitar uma volatilidade acima da média.
Exemplos recentes mostram essa ambiguidade: o Nasdaq 100, índice que concentra companhias de tecnologia e crescimento, valorizou mais de 40% entre 2023 e 2024 — mas também apresentou correções expressivas em curtos intervalos. Em contrapartida, setores tradicionais, como utilities e bancos, mantiveram estabilidade, porém com menor retorno potencial.
Esse contraste reforça que o growth investing não é sinônimo de euforia, mas de visão estratégica e paciência disciplinada.
O papel do consultor de valores mobiliários
Neste cenário, o consultor de investimentos assume um papel central: traduzir expectativas em decisões equilibradas. O profissional qualificado identifica empresas com fundamentos sólidos, mesmo em setores de rápida transformação, e ajuda o investidor a balancear crescimento e proteção dentro do portfólio.
Mais do que selecionar ativos, o consultor orienta o investidor a compreender o ciclo do crescimento — saber quando acelerar, quando realocar e quando esperar. Essa leitura exige domínio técnico, sensibilidade de mercado e visão de longo prazo.
A ABCVM apoia esse processo ao fortalecer a comunidade de consultores, promover educação contínua e difundir as melhores práticas de governança e ética. Ao reunir profissionais de todo o país, a associação consolida o consultor como protagonista de uma nova era da intermediação financeira: mais independente, mais transparente e mais próxima das transformações que moldam o mercado.